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Série: A revolução da mobilidade elétrica
Série: A revolução da mobilidade elétrica
Mauro Shirasuna

Este é o primeiro blog de uma série a respeito da Mobilidade Elétrica e Veículos Elétricos e seus impactos tecnológicos. Nesta série, também iremos abordar a Infraestrutura de Carregamento e descrever os principais tipos de carregadores, normas de instalação e projeto.

Venha nos acompanhar nesta série de artigos sobre esta novíssima tendência tecnológica que entusiasma tanto os profissionais do setor de mobilidade, os ambientalistas e consumidores, em geral. Para os mais desavisados está ocorrendo uma revolução tecnológica em escala global, ainda com pouca repercussão na mídia, mas que promete ter impacto profundo na forma com que transportamos pessoas e bens. A indústria automobilística, um dos setores industriais mais significativos da economia global, está se movendo para a Mobilidade Elétrica e irá contribuir com a principal causa ambiental da nossa sociedade atual que é luta contra o aquecimento global.

MOBILIDADE ELÉTRICA

Nos dias de hoje, é comum reclamarmos do tráfego urbano nas grandes cidades e sobre as condições das nossas ruas, avenidas e estradas por onde trafegam uma enorme variedade de veículos de transporte, como, carros de passeio, ônibus, caminhões, motocicletas e bicicletas. Pois saiba, caro leitor, que já na Grécia antiga surgiram os primeiros relatos de congestionamentos em estradas. Reclamações, daquela época, propunham que as principais estradas deveriam ser alargadas para suportar o maior tráfego de pessoas e de veículos (obviamente, eram de tração animal!).

Com o crescimento da população e adensamento das grandes cidades, surge o conceito da MOBILIDADE URBANA que pode ser definida como a facilidade de deslocamento das pessoas e bens na cidade, com o objetivo de desenvolver atividades econômicas e sociais, através de:

  • Infraestrutura viária (ruas, avenidas, túneis, viadutos, estradas),
  • Meios de transporte (carro, ônibus, caminhão, metrô, trem, bicicleta, etc.)
  • Leis e órgãos governamentais que regulam e possibilitam o tráfego de pessoas e bens nas cidades.

Não temos a solução para os congestionamentos da Mobilidade Urbana, pois, como vimos, é um problema que surgiu e convive com a civilização há milênios, desde a Grécia antiga.

Nosso objetivo é chamar sua atenção para outro fenômeno que está lentamente e silenciosamente invadindo as vias públicas: os veículos elétricos! Se você ainda não se atentou, então, prepare-se, por que, em algum momento da sua vida, você vai embarcar num carro, ônibus, caminhão elétrico ou até num carro elétrico voador desenvolvido pela Embraer.

No Brasil, os números absolutos de veículos elétricos e híbridos ainda é tímida em comparação com os países mais desenvolvidos, porém, a taxa de crescimento é robusta:

  • Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), o mercado de eletrificados (veículos 100% a bateria e híbridos leves) cresceu 47% no primeiro semestre de 2022 sobre o mesmo período de 2021;
  • Manteve uma curva de crescimento exponencial, característica dos últimos 2 anos, em contraste com a retração do conjunto do mercado doméstico com uma queda de 18% no comparativo com igual intervalo do ano passado.
  • O mercado de eletrificados passou a representar 2,3% das vendas totais do setor, ante apenas 0,4% há três anos.
  • O Brasil tem atualmente 70 modelos e deve chegar até o final de 2022 com cerca de 100 modelos de diversas montadoras.

Com o aumento da frota de veículos elétricos, através do processo de substituição dos veículos com motores a combustão interna por veículos com motores elétricos, surgem novas demandas e criou-se o termo “MOBILIDADE ELÉTRICA” para nos referirmos aos assuntos relacionados a estes novos meios de transporte.

 O CARRO ELÉTRICO – SURGIMENTO

Na realidade, o carro elétrico não é uma invenção recente. Os primeiros protótipos surgiram em 1832 e muitos antes dos primeiros automóveis movidos com motor de combustão interna.

Em 1890, o químico William Morrison, desenvolveu, nos Estados Unidos, uma espécie de vagão eletrificado, com capacidade para seis pessoas e que chegava a 20 quilômetros por hora. Entre 1900 e 1910, a quantidade de carros elétricos nos Estados Unidos era superior aos carros movidos com motor de combustão interna, pois, estes eram mais barulhentos, poluidores, menos eficientes e caros.

Mas, em 1914, Henry Ford alterou o rumo da história ao iniciar a fabricação do famoso modelo T, um carro com motor de combustão interna, porém, muito mais barato! Custando apenas US$ 650,00, em contraste com os US$ 1.750 dos veículos elétricos, atraiu grande interesse dos consumidores.

Além disso, com a descoberta de reservas de petróleo nos Estados Unidos, a gasolina tornou-se mais barata e facilmente disponível em locais em que a eletricidade não era abundante ainda. Os usuários preferiram pagar menos optando pela gasolina e ter maior comodidade para reabastecimento. Naquela época, ninguém imaginava as consequências para o meio ambiente causada pela emissão de CO2.

Aos poucos, os veículos elétricos foram minguando e, na década de 1930, desapareceram completamente das ruas dos Estados Unidos, iniciando o domínio dos carros movidos a combustíveis fósseis por décadas. Todo um ecossistema em torno destes tipos de veículos, como os fabricantes de automóveis, ônibus e caminhões, fabricantes de autopeças, distribuidores, lojas, consumidores se estabeleceu em torno, sem mencionar a gigantesca indústria do petróleo que, até hoje, tem papel preponderante na economia em todo mundo.

O CARRO ELÉTRICO – RESSURGIMENTO

Nas duas últimas décadas, porém, voltaram as apostas nos veículos elétricos. São dois os principais motivos para o ressurgimento:

  • Os avanços tecnológicos começaram a barateá-los e torná-los mais eficazes e práticos. Os preços das baterias têm caído 15% ao ano, nos últimos tempos, à medida que a escala de produção aumenta. Nesse cenário, a tendência é de que os preços dos carros elétricos se tornem bastante competitivos frente aos dos modelos a combustão, mesmo sem quaisquer subsídios por parte dos governos.
  • As preocupações conservacionistas transformaram o petróleo no grande inimigo do meio ambiente, devido a emissão de CO2 que causa do efeito “estufa” e aumento do aquecimento global. Um exemplo, na União Européia, que é o terceiro bloco econômico que mais polui no mundo, cerca de 20% de toda a emissão de gás carbônico vem da mobilidade urbanaEm junho de 2022, a União Européia determinou o ano de 2035 como data limite para fim das vendas de carros com motor de combustão interna nas 27 nações que compõem o bloco.

Mas, além destes dois fatores importantes, é incontestável que o surgimento de uma empresa no cenário global também teve fator decisivo na mudança do “mindset” dos consumidores: a TESLA.

A Tesla foi fundada em 2003 por dois engenheiros, Martin Eberhard e Marc Tarpenning, com o objetivo de produzir carros elétricos esportivos de alto desempenho. Elon Musk, que ficou famoso anos mais tarde, se juntou a empresa em 2004 liderando uma rodada de investimentos e tornando-se seu presidente. A contribuição da Tesla para a indústria do carro elétrico foi mudar a percepção dos consumidores de que carros elétricos eram pequenos, feios e de baixa autonomia. Em poucos anos, ter um modelo da Tesla tornou-se um sonho de consumo da classe média americana e, também, global.

Tesla Modelo S

O FUTURO

Juntando todos estes fatores, entramos na segunda década do século 21 com uma constatação: a transição para veículos elétricos é irreversível! Poderá ser mais lenta em países em desenvolvimento, porém, nos países mais ricos a eletrificação das frotas ocorre de forma acelerada.

Portanto, se preparar para esta transição pode ser estratégico tanto para empresas que desejam entrar neste mercado inovador, quanto para profissionais que procuram alavancar suas carreiras. Várias empresas, que já atuam na Mobilidade Elétrica, procuram por profissionais, como, engenheiros, técnicos, advogados, jornalistas, profissionais de marketing, etc. e várias Startups já atuam neste setor.

NÃO PERCAM!

No próximo blog desta série, vamos entender como funciona um carro elétrico, como é feito a recarga da sua bateria, falaremos sobre a autonomia e os tipos de carregadores lento e rápido.

Até breve!

Mauro Shinasuna
Product Manager
É Engenheiro Elétrico formado pela Escola Politécnica da USP e com Especialização em Administração Industrial pela Fundação Vanzolini da USP. Possui mais de 30 anos de experiência no setor de Automação Industrial com passagens em diferentes empresas como Nestlé, Heineken, Rockwell Automation. Atualmente, é Product Manager da Delta Eletronics Brasil.

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